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estréia amanhã

marcelo inacio 27 setembro 2007 democracia 7 visitas 2 CommentsPode imprimir Pode imprimir Pode enviar Pode enviar

O consumo é hoje o grande fundamentalismo. A idéia não é minha, nem é nova. Quem já disse isso foi o geógrafo Milton Santos, frase que está praticamente na abertura do filme que estréia amanhã (28/9) no Espaço Unibanco, no Dragão do Mar. Para aquelas pessoas que estão no mundo para achar tudo bonito, ou para aquelas que não conseguem pensar além do seu umbigo, seus problemas, sua vida, o filme é um péssimo programa. Para as demais, é um brinde.

O filme “Encontro com Milton Santos – O Mundo Globalizado Visto do Lado de Cá” usa o mote da globalização para tratar de assuntos extremamente complexos como a geopolítica da fome, a privatização da água, o biopoder que se revela a partir da América Latina, a mentira da democracia, a repetição cultural como triste caricatura.

Daqui do Brasil, deitados em berço esplêndido, estamos propensos a acreditar que isso é discurso acadêmico, conversa de sociólogo, ou coisa do tipo. Ver o filme, desta forma, é fazer um exercício da descoberta, porque é possível conhecer a revolta em Cochabamba (Bolívia) contra a privatização da água, a queda de três presidentes na Argentina em uma semana, a equação entre produção mundial de alimentos e a fome na África e no Brasil. É, aqui morre gente de fome.

Milton SantosO que é real, para Milton Santos, é a existência de um “globalitarismo” – uma globalização como perversidade – onde a informação é o grande instrumento para composição de novas formas totalitárias. É a mídia quem canta a música da globalização como fábula. Segundo o geógrafo, um terceiro mundo pode ser construído: uma outra globalização.

O filme, vencedor do prêmio de Júri Popular do Festival de Brasília (2006), traz quase uma dezena de experiências de comunicação pensadas como estratégia de intervenção no mundo. Uma delas apresenta a tribo Krenak, de Minas, que denuncia crimes contra a natureza para o mundo, pela internet. “Podemos nos comunicar com o mundo sem pedir favor à prefeitura local”, explica Ailton Krenak para o documentário. É uma possibilidade de libertação de comunidades historicamente controladas. “Acabou o intermediário”, sintetiza.

O documentário tem como base uma entrevista feita com Milton Santos em janeiro de 2001. Meses depois ele morreu, deixando-nos uma obra de quase 50 livros publicados. Em uma entrevista publicada no mesmo ano (e realizada pelo Instituto Pólis), o analista constata que a substância de sua obra, aquela que ele introduziu na sua disciplina, não é discutida. Revela que o pedem para falar sobre outras coisas mas, no fundo, desconhecem a sua contribuição.

Não espero que o filme mude a realidade, nem que Milton Santos passe a ser lido e estudado como os queridinhos da academia, franceses, ingleses, americanos ou outros. Para mim, que já gostava dele, alguma coisa mudou. Para quem não conhece, permita-se experimentar.


.: sai distribuindo
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páiaentão...tái, gosteimuito bacanasó o filé! (No Ratings Yet)
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2 comentários »

  1. Tu vai de novo comigo?

  2. vou até dez vezes =)

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