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A Agência de Proteção Ambiental da Califórnia (Cal/EPA, por sua sigla em inglês) informou que pensa em reclassificar o glifosato – ingrediente tóxico ativo do herbicida Roundup, da Monsanto – por saber que provoca câncer. A ação entra no âmbito da “Proposta 65” da Califórnia, que obrigar o Estado a publicar uma lista de produtos químicos conhecidos por serem causadores de câncer, defeitos pré-natais e outros danos reprodutivos.

A mesma lei, também conhecida como Lei de Responsabilidade pela Água Potável Segura e os Tóxicos, de 1968, exige que certas substâncias identificadas pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC, por sua sigla em inglês) – ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) – sejam incorporadas à lista de cancerígenos. O anúncio da agência estatal californiana, feito no último dia 04 de setembro, responde à classificação do glifosato pela IARC no último mês de março, como “provável cancerígeno em seres humanos”.

“Os estudos de casos de exposição ocupacional realizados nos Estados Unidos, Canadá e Suécia informaram um incremento de risco de linfoma não-Hodgkin, que persiste depois de ajustar outros pesticidas”, expressou a IARC acerca do herbicida. Também há “convincentes provas” de que pode provocar câncer em testes de laboratório com animais. Para o doutor Nathan Donley, cientista do Centro para a Diversidade Biológica, “esta é a primeira agência reguladora dos Estados Unidos que determina que o glifosato é um cancerígeno”. Trata-se, segundo Donley, de uma conquista muito grande.

O Roundup, agrotóxico produzido pela Monsanto, é utilizado nos cultivos de todo o mundo. O Brasil recebeu sua primeira amostra para testes em 1972 e, em 1978, o produto, ainda importado, chegava ao país para ser comercializado. Passou a ser produzido no Brasil em 1984 e hoje é o agrotóxico mais empregado pelo agronegócio. Isso se torna mais grave se considerarmos que o Brasil mais que dobrou o uso destes produtos entre os anos de 2000 e 2012, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): na média, foram comercializados 6,9 quilos por hectare (kg/ha) plantado em 2012.

Muitos anos de investigação relacionam o Roundup com inúmeros problemas de saúde e do meio ambiente. As intoxicações agudas por agrotóxicos atingem trabalhadores e trabalhadoras rurais que sofrem com irritação na pele, nos olhos, cólicas, diarreias, problemas respiratórios e convulsões.

[+] FONTE: Portal Brasil de Fato. Texto original em inglês pode ser encontrado aqui.

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