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vou fazer uma embolada

.:. isso é um xotezinho safado

27-fev-2008

A demora desta vez foi com o texto que comenta as escolhas. O Podcast Reggae chegou antes, sob influência do programa Tambores, da rádio Oi FM, que ouvi dia desses num domingo ensolarado em que fiquei preso no apartamento.

Escolhi mais três músicas para somar à seleção que pesquei do programa no rádio. Uma delas abre o Podcast: "Brixton, bronx ou baixada", é composição de Marcelo Yuka e Nelson Meirelles, antigo baixista da banda e produtor dos dois primeiros cds do Cidade Negra, substituído por Lauro Farias a partir do Disco Rappa Mundi.

Tem uma história longa na internet sobre o começo do Rappa, que conta essa parceria com Nelson Meirelles. E endereço é: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Rappa.

Segunda música da seleção é uma das minhas cantoras preferidas atualmente. Rita Ribeiro nasceu em São Benedito do Rio Preto, interior do Maranhão. Ainda pequena mudou-se para São Luís, onde, aos 15 anos, começou a cantar. Montou um coral, Vira Mundo, só com música popular e chegou a fazer vocal para Josias Sobrinho e César Teixeira.

Só em 97 o primeiro CD foi lançado, pela gravadora Velas. O CD trouxe as influências de Rita no Maranhão, como a música Cocada, de Mestre Antônio Vieira, além de composições de Zeca Baleiro e Chico César. No segundo CD, em 98, não faltaram Zeca, Chico e Antônio Vieira, mas Rita abriu espaço para algumas novas compositoras que teve contato em São Paulo. Você ouve "Filhos da Precisão", de Erasmo Dibel, na sua voz particular.

"A Flecha e o Vulcão", de Toni Garrido, Da Gama, Lazão e Bino Farias, aparece em 2000, compondo o sétimo CD da banda Cidade Negra (Enquanto o Mundo Gira), talvez aquele que mais tenha se afastado do estilo reggae, beirando ali o Pop. "Vou fazer filhote no Brasil, lavar a alma!" é a frase que esteve na boca das pessoas por um tempão.

Na seqüência, apelo para o clássico "Extra" (1983), que o Gil canta no disco Kaya N'Gandaya Ao Vivo, do ano de 2003. Pesquisando pra escrever esse Podcast, descobri uma história engraçada de um personagem bem conhecido pelos nordestinos. Quase ao final do show Kaya n’Gandaya, Gilberto Gil lembrou de história, ocorrida em 1975, durante turnê do show Refazenda pelo Nordeste.

"Na estrada, coloquei para tocar na Veraneio em que viajávamos uma fita com músicas de Bob Marley. Ao ouvir, Dominguinhos (o sanfoneiro que à época tocava na banda do cantor) comentou: 'Isso é que é reggae. Pra mim, isso é um xotezinho safado'."

Francisco César Gonçalves, nascido em janeiro de 1964 na cidade de Catolé do Rocha (450 km de João Pessoa), é o mais novo dos sete filhos de Dona Etelvina e Seu Francisco. Morou com a família até os 8 anos na zona rural da cidade, mas tão logo foi colocado numa escola de freiras largou a enxada para se dedicar aos estudos.

Aos 16 anos, Chico César mudou-se para João Pessoa e entrou no grupo Jaguaribe Carne, que fazia música e poesia experimentais nas universidades e já apareceu aqui no Podcast, lá atrás. O CD Cuscuz Clã saiu em 1996 e Chico César regravou, agora em estúdio, sucessos "À primeira vista" e "Mama África", o que as fez conquistarem alcance nacional. O disco também marcou as primeiras parcerias do paraibano com o maranhense Zeca Baleiro, uma delas a música "Mandela", que você ouve nesta seleção.

A última música é uma homenagem esse ninja que está presente na carreira de tanta gente boa. Zeca Baleiro gravou "Dodói" no disco Por Onde Andará Stephen Fry?, produzido por Marco Mazzola (1997) e vendeu mais 70 mil cópias, um número muito significativo para um álbum de estréia. Precisa dizer mais? Curta sem moderação.

Marcelo Inácio de Sousa