
O Mundo está indo para o buraco, já tem um tempo. Vou assistir filmes como Uma Verdade Incoveniente só para ter a certeza disso, saber que estou na lista dos responsáveis pela ruína, mesmo tendo trocado o carro pela bicicleta e pelo ônibus (por outros motivos, é bom que se diga). Curioso é descobrir como aquela mania de deixar tudo para a última hora não é pecado apenas de brasileiro, não só quando se trata de Ecologia.
Sabe aquelas metas da Onu para o milênio? Aquela dos adesivos bonitinhos que a gente vê nos folderes, nos adesivos e até em outdoors? Já fazem seis anos que elas foram acordadas, em uma Assembléia Geral das Organizações, mas não passaram das promessas na maioria dos governos.
Entre os objetivos estabelecidos por 191 países, então integrantes da ONU, figuram garantir educação universal para meninos e meninas até 2015, bem como reduzir pela metade (em relação a 1990) a população de pobres, famintos e sem acesso à água potável nem meios para custeá-la. Ainda tem a promoção da igualdade de gênero, a redução da mortalidade infantil, melhoria da saúde materna, o combate ao vírus da Aids, à malária e outras doenças. Garantir a sustentabilidade ambiental é uma das oito metas de desenvolvimento.
Nenhuma região do mundo encontra-se a caminho de alcançar todas estas metas. Os progressos conseguidos até agora são parciais ou confinados a determinadas regiões, o que mantém nosso Mundo em linha reta na direção da caçapa. Pessimista? Acho que não. Confesso que estou mais preocupado em parar de achar isso normal, em diminuir minha parcela de contribuição para o desastre. Além do mais um pessimista costuma dizer: “é provável o desaparecimento de 80% da humanidade até o ano de 2100”.
Sim, tem quem diga isso. James Lovelock, inglês de 87 anos, o cara que escreveu A Vingança de Gaia e que, no passado, ofereceu contribuições efetivas para a proibição de uso, em boa parte do mundo, do pesticida DDT e do gás CFC, utilizado em aerossóis e aparelhos eletrodomésticos como os refrigeradores. Agora ele anuncia a total irreversibilidade do aquecimento global em curso.
Muita coisa tem que mudar para que o Mundo mude. Hoje, países da Ásia-Pacífico apresentam substanciais avanços em matéria de redução da pobreza, mas não há sinais de mudanças qualitativas na Ásia meridional. Na América Latina, alguns resultados sólidos aconteceram, mas apenas em determinadas áreas. Mais de um bilhão de pessoas no planeta sobrevivem com menos de um dólar por dia, e outros 2,7 bilhões sobrevivem com menos de dois dólares diários, enquanto 11 milhões de meninos e meninas morrem por ano devido a doenças que podem ser prevenidas, como malária, diarréia e pneumonia. E quem diz isso é a ONU.
Eu tenho vergonha disso. Eles, nem tanto. O administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Kemal Dervis, certifica um substancial crescimento econômico nos últimos anos, mas reconhece algo tão óbvio (até para mim, que não sou danadão como ele), que as disparidades entre as nações continuam aumentando. Desde o começo da revolução industrial, os dez países mais ricos do mundo ficaram 50 vezes mais prósperos do que os dez mais pobres.
O pior é que esta prosperidade toda contribui, imensamente, para a destruição. Só as ofensivas militares dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão consomem quase US$ 2 bilhões por mês em equipamentos e armamento destruídos ou que precisam de conserto. Ano passado o Banco Mundial emprestou dinheiro ao Brasil para aperfeiçoar o Bolsa-Família. Sabe quanto? Um bilhão de dólares. E não foi por mês.
Muita coisa tem que mudar e uma delas, que acho muito importante, é a relação dinheiro-nós-mundo. Todos os dias a gente vai trabalhar e não pensa como o dinheiro chega na nossa mão. Nem pensa para onde ele vai quando ele sai do nosso bolso. Então, aproveita que já investiu um tempinho lendo este artigo e aplica mais algum. Vamos pensar.