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  • Povos do Cerrado debatem direitos territoriais

    Povos do Cerrado debatem direitos territoriais

    Mais de 880 áreas em conflitos agrários no Brasil foram registradas somente em 2017. Só no Maranhão estão 180 e outras 97 estão na Bahia. Os dados são do documento Conflitos no Campo Brasil 2017, da Comissão Pastoral da Terra (CEDOC Dom Tomás Balduino – CPT). Dos 71 assassinatos no campo (o maior número registrado desde 2003), onze eram quilombolas – nove somente na BA – e seis eram indígenas. Além disso, 25 indígenas sofreram tentativas de assassinato – 21 somente no MA – assim como 36 quilombolas – 31 no MA – receberam ameaças de morte, e mais seis quebradeiras de coco (todas no MA), quatro camponeses de fundo e fecho de pasto, três extrativistas e um geraizeiro. A motivação, na maioria dos casos, é a disputa por terras e territórios.

    Bahia e Maranhão têm parte de seus territórios entre as áreas prioritárias do Cerrado, segundo maior bioma da América do Sul e hoje, proporcionalmente, o mais desmatado do Brasil. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), metade da vegetação nativa do Cerrado não existe mais. A área com a maior incidência é o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), região apontada como a “última fronteira agrícola” do país. O Cerrado sofre com o avanço indiscriminado de commodities do agronegócio, em especial o MATOPIBA.

    Caravana Internacional Matopiba
    Área preparada para a monocultura

    “Ocorre que nessas áreas temos dezenas de Terras Indígenas, centenas de assentamentos da reforma agrária, Territórios Quilombolas que são afetados diretamente pela constituição dessa nova fronteira para a agricultura de larga escala no Brasil”, explica a pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Mônica Nogueira, mestre em Desenvolvimento Sustentável e doutora em Antropologia.

    Com o intuito de debater e dialogar sobre os direitos territoriais – incluindo disputas e conflitos por terras (principalmente no campo) – e de conhecer novas formas de garantia de territórios, a Rede Cerrado promove hoje e amanhã (6 e 7.nov.18), em Brasília/DF, a 1a Oficina de Territórios. A atividade reunirá representantes de povos e comunidades tradicionais (PCTs) que vivem no Cerrado e de organizações da sociedade civil. Também estarão presentes a presidenta do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), Cláudia Regina Sala de Pinho; o secretário executivo da 6a Câmara do Ministério Público Federal, Marco Paulo Fróes Schettino; e o secretário adjunto de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Ministério de Direitos Humanos, Marcelo Silva Oliveira Gonçalves.

    Para Maria do Socorro Teixeira Lima, quebradeira de coco e coordenadora geral da Rede Cerrado, será um momento para a reflexão e o debate aprofundado das diferentes realidades presentes no Cerrado e no Brasil. “Neste sentido, vamos, a partir das discussões e dos trabalhos realizados, orientar nossos próximos passos, principalmente no que diz respeito à garantia dos territórios tradicionais”.

    REDE CERRADO

    Composta por mais de 50 entidades da sociedade civil associadas, a Rede Cerrado trabalha para a promoção da sustentabilidade, em defesa da conservação do Cerrado e dos seus povos. Indiretamente, a Rede Cerrado congrega mais de 300 organizações que se identificam com a causa socioambiental do bioma. São representações indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, vazanteiros, fundo e fecho de pasto, pescadores artesanais, geraizeiros, extrativistas, veredeiros, caatingueros, apanhadores de flores Sempre Viva e agricultores familiares. A Rede Cerrado também atua estrategicamente em diversos espaços públicos socioambientais para propor, monitorar e avaliar projetos, programas e políticas públicas que dizem respeito ao Cerrado e aos seus povos.

    SERVIÇO

    1a Oficina de Territórios da Rede Cerrado
    Quando: 6 e 7 de novembro, de 8h30 às 18 horas.
    Onde: Casa de Retiros Assunção – Avenida L2 Norte 611 E – Setor de Grandes Áreas Norte (SGAN)

    FONTE: ISPN / Rede Cerrado | FOTO: ONG Fase / Rosilene Miliotti - álbum: Caravana Internacional Matopiba