Categoria: educomunicação

não é um slogan, não é uma moda, nem é uma simples aplicação de técnica

  • Agência jovem na Rio+20

    Agência jovem na Rio+20

    Adolescentes e jovens de 11 Estados brasileiros, do Distrito Federal e de mais 18 países da América Latina, Europa, África e América do Norte se preparam para a maior agência de notícias presente na Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável) e na Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, que acontecem na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 15 e 23 de junho. (mais…)

  • A propaganda da comunicação comunitária na PUC-RJ

    Uma frase pode mudar muita coisa no contexto de uma fala, de um projeto ou de uma história. A frase a que me refiro chegou em uma matéria que li, com o título “Comunicação comunitária é o novo foco de projeto da PUC-RJ”, que trata da nova iniciativa do “Projeto Comunicar”.

    Com 25 anos de história, o Projeto quer agora, segundo a matéria,  “orientar e estimular populações carentes a explorarem técnicas e meios de comunicação na busca pela melhoria da qualidade de vida”. A minha veia questionadora, que pulsa na minha cabeça, bem no meio do juízo, já dá uns pulos – “populações carentes”, “explorar técnicas”, “melhoria da qualidade de vida”, o que isso tem a ver com comunicação comunitária?. Mas consigo pular para o próximo parágrafo, porque tenho praticado Yoga na minha ginástica laboral.

    Professor Miguel PereiraO problema é que o texto segue dando voadora: “coordenado por professores e assessorado por alunos de Comunicação Social da universidade, o núcleo permite que moradores de regiões degradadas (ai!) frequentem a faculdade e participem de cursos que os auxiliem na produção de jornais impressos e digitais”. E finaliza com a frase matadora, a que me referi, pronunciada pelo professor e um dos coordenadores do projeto, Miguel Serpa Pereira (na foto): “na Paróquia dos Santos Anjos, por exemplo, conseguimos transformar um pequeno boletim praticamente interno em um verdadeiro jornal de bairro do Leblon”.

    Aí começo a desconfiar. O professor Miguel Serpa é doutor em Ciências da Comunicação, mestre em Artes pela Universidade de São Paulo (USP) e reconhecido por seu intenso trabalho no Departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Realizou também vários trabalhos com moradores da Rocinha e deve ter feito, lógico, muita coisa que nem faço ideia, já que não o conhecia antes da frase de hoje. Mas o que faz uma pessoa encarar com entusiasmo a realização de transformar um jornal paroquiano “praticamente interno” em um “verdadeiro jornal do bairro do Leblon”?

    IGREJA, UNIVERSIDADE E COMUNIDADE

    A matéria explica que “a inserção da Igreja Católica em comunidades de todo o Rio Janeiro levou a universidade a apoiar projetos que envolvem rádios comunitárias, sites, jornais impressos e portais na internet que, em rede, ajudam a construir um canal de fluxo permanente de informação”. Hoje são, aproximadamente, 250 paróquias na cidade, interconectadas pelos meios de comunicação aos sete vicariatos existentes. Com isso todo mundo consegue saber em pouco tempo das novidades que surgem nos diferentes locais.

    A Escola de Comunicação da PUC-RJ entrou nessa dando formação e suporte, como boa universidade católica. Fez cursos e seminários de porte, envolvendo profissionais renomados como o colunista do O Globo Arthur Dapieve. A matéria do portal da Rede Globo, claro, emplaca um “garante os bons resultados e a contribuição educativa do processo”, após falar do suporte da universidade e do seu colunista.

    Vendo isso me vem claramente à cabeça o conceito de apropriação ideológica de um conceito de comunicação comunitária. É um projeto interessante, que pode apresenta resultados importantes, mas quem disse que isso é comunicação comunitária? Recentemente, tive um aluno (aqui em Fortaleza e não no Rio) que dizia estar na hora de acabar com o discurso universitário sobre comunidade. Agora era a vez, segundo ele, da comunidade comunicar. Será que uma comunidade (a comunidade mesmo, não um grupo particular dentro dela) está à procura de ter um “verdadeiro jornal de bairro do Leblon”? E aprender a “explorar técnicas” é uma coisa que a universidade deve proporcionar? Assim, sem contexto histórico, sem propósito social?

    Fui lá no site do Projeto Comunicar buscar respostas, mas não encontrei a produção do diálogo e do conhecimento. Para o professor, além de promover acesso ao conhecimento (que deve estar na universidade, né?), o projeto contribui para o relacionamento das comunidades com o universo acadêmico, como é o caso dos moradores da Rocinha, que hoje têm um jornal impresso. Assim fica difícil acreditar que a “comunicação comunitária” consegue ir além do discurso de efeito.

    Acho importante rever os conceitos antes de fazer assessoria de imprensa e publicidade, para não beirar a má intenção. Vemos todos os dias isso e nos calamos – e falo também de mim quando vi um colega atônico diante de uma rede internacional de supermercados se apropriando do conceito de “comércio justo”. Parafraseando Chico César, isso são conceitos e práticas de plástico.

    [+] A matéria foi publicada no site Comunique-se e no portal da Rede Globo.
  • Dez anos de educomunicação

    O boletim do Instituto Claro desta semana traz uma matéria publicada no último dia 6/1 sobre o III Encontro Brasileiro de Educomunicação, realizado no início de dezembro do ano passado. O foco da informação é o ciclo de 10 anos, ou a Década da Educomunicação, tema do primeiro painel do evento e assunto debatido por algumas das maiores referências no assunto. (mais…)

  • Santos: organização ensina audiovisual

    O Instituto Querô é uma organização da sociedade civil de interesse público que utiliza o audiovisual como ferramenta para estimular talentos, promover a inclusão cultural, transmitir valores, desenvolver o empreendedorismo e dar voz a jovens que vivem em condições de alto risco social.

    A organização foi criada em 2008, depois de três anos de existência do projeto Oficinas Querô, que até então era realizado pela Gullane entretenimento, que hoje é parceira da organização. O então amadurecimento e a projeção de crescimento estável para o projeto conduziram ao surgimento do Instituto Querô.

    Ele faz trabalhos com jovens entre 13 e 25 anos que vivem em áreas com acesso limitado à cultura, à cidadania, e poucas oportunidades de trabalho, permitindo-lhes uma nova visão de vida e oportunidade de crescimento. Atualmente o Instituto Querô coordena:

    As Oficinas Querô – Que são oficinas de produção audiovisual, empreendedorismo e cidadania para os jovens.

    A Produtora Querô – Uma produtora social que faz trabalhos profissionais sob encomenda para o mercado, como vídeos institucionais, spots publicitários e vídeo clipes. Estes trabalhos são coordenados por veteranos das oficinas que utilizam a mão-de-obra de jovens recém formados no projeto. Desta forma, inserindo-os no mercado de trabalho, gerando renda para eles e suas famílias e ainda reinvestindo os lucros do núcleo de produção no próprio Instituto.

    O Querô na Escola – É um projeto de fomento ao protagonismo juvenil realizado pelos jovens participantes das Oficinas Querô, que visitam escolas municipais das cidades da Baixada Santista exibindo filmes, aplicando dinâmicas e abrindo diálogos com outros jovens através de temas atuais e de interesse geral, refletindo a escola, a cidade e sua interação com a juventude.

    O Web TV – É um espaço na Web de experimentação, exibição e discussão de conteúdos produzidos pelos jovens.

    O Cinescola Querô – Que une uma sala de cinema popular, uma produtora social e uma escola de audiovisual (Essa iniciativa ainda é um projeto e está em fase de aprovação).

    A organização tem um organograma de funcionamento que mescla o trabalho de profissionais contratados e voluntários que ajudam no desenvolvimento do projeto.

    Através do audiovisual, o instituto é capaz de transmitir valores éticos, ampliar horizontes profissionais, incentivar o empreendedorismo e criar uma rede de inclusão para os jovens. É o que conta Cláudio Maneja Júnior, responsável pelo setor de comunicação do Instituto.

    Após participarem das oficinas, os alunos participam do elenco das apresentações dos mini e dos curta metragens. Além de terem a oportunidade de ingressarem no mercado de trabalho em funções variadas no setor audiovisual.

    As Oficinas Querô ganharam diversos prêmios, dentre eles o Prêmio pela Paz, onde receberam o prêmio Mídia pela Paz da Revista Imprensa como reconhecimento ao trabalho realizado pelo projeto durante o ano de 2007. Este prêmio contempla conteúdos e ações de comunicação relacionados à construção da paz.

    E o Prêmio Instituto Brasileiro Arte e Cultura (IBAC), em 2009, onde foi homenageado com uma menção honrosa por sua contribuição à memória brasileira através da preservação e difusão do patrimônio artístico e cultural.

    Mais de 300 jovens de regiões periféricas da Baixada Santista e das periferias de Diadema e extrema zona sul de São Paulo já passaram pelas Oficinas Querô. Neste período, mais de 20 curtas-metragens e 25 mini-metragens já foram produzidos.

    Fonte: Portal EcoD.
  • Congresso mundial abre importante debate sobre educomunicação

    São Paulo é sede até a próxima quinta (4/8) do 1º Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana (Confibercom). O congresso ocorre na Universidade de São Paulo e busca inventariar e disseminar o conhecimento gerado em cada país, região ou comunidade particular, mapear as tendências dos sistemas de comunicação, fomentar a identidade nacional e fortalecer a diversidade regional do pensamento comunicacional no espaço ibero-americano, além de criar mecanismos de cooperação intraregional.

    Ontem (1/8), uma sessão plenária do GT Educomunicação – coordenada pela cineasta Dra. Ariane Porto, pós-doutoranda (ECA) – trouxe o tema “educomunicações e pedagogias da comunicação”, com a apresentação de quatro temática:

    • “A educomunicação e o ambiente virtual de aprendizagem Agora.Tidia- AE.USP” por Lucilene Cury, Luisa Almeida Garcia Gonzales e Lígia Capobianco;
    • “Negras ideias em debate: a implementação da lei Federal nº 11.645/08 a partir da Educomunicação”, por Paola Diniz Prandini;
    • “A construção do conceito de didática da comunicação educativa, no rádio”, por Edgard Patrício; e
    • “Do cassete-fórum à Internet: uma proposta educomunicativa para a participação de crianças na mídia”, por Mayra Fernanda Ferreira.

    De acordo com Ariane a discussão perpassou duas vertentes, sendo uma mais fixando sobre as plataformas tecnológicas e a outra dos processos de interação humana, o que possibilitou uma discussão que trouxe novas interações e negociações significativas em direção a novas possibilidades. Leia abaixo os resumos das apresentações e entenda um pouco mais do que tratam:

    1. A educomunicação e o ambiente virtual de aprendizagem Agora.Tidia- AE.USP – Lucilene Cury, Luisa Almeida Garcia Gonzales e Lígia Capobianco

    O artigo situa a Educomunicação no contexto da sociedade contemporânea em que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), unidas à informática, propiciam a interação entre pessoas por meio de recursos técnicos. O desenvolvimento tecnológico proporcionou a evolução do modelo de educação a distancia, inicialmente por meio de correspondência e depois por meio do rádio, da televisão, de computadores, de dispositivos portáteis (entre os quais o celular) e os serviços atuais da Web.

    Entre os principais suportes disponibilizados pelas TICs para a comunicação estão os ambientes de aprendizagem pessoal, conhecidos como PLE (do inglês: Personal Learning Environment), por exemplo, a comunidade virtual Facebook, os sites de relacionamentos, os grupos de discussão, dentre outros. Para o suporte a aplicações e processos de ensino/ aprendizagem via Web, desde 1997 estão sendo desenvolvidos vários tipos de software conhecidos como AVAs, ambientes virtuais de aprendizagem (VLE do inglês: Virtual Learning Environment).

    Apresentamos aqui as funcionalidades do sistema de aprendizado eletrônico Agora Tidia AE USP (http://agora.tidia-ae.usp.br/portal), que permite gerenciar cursos e atividades de aprendizado em ambiente colaborativo, como por exemplo a experiência em cursos da ECA-USP.O sistema oferece suporte tanto para o ensino presencial como a distância e pode ser utilizado por todos que precisem de um conjunto de ferramentas digitais avançadas e de acesso livre. Trata-se, portanto, de uma proposta educacional inclusiva com benefícios que se estendem para além das fronteiras da Universidade de São Paulo.

    2. Negras ideias em debate: a implementação da lei Federal nº 11.645/08 a partir da Educomunicação – Paola Diniz Prandini

    O artigo Negras ideias em debate: a implementação da Lei Federal nº 11.645/08 a partir da Educomunicação tem como objetivo apresentar pesquisa realizada, entre 2008 e 2009, no curso de pós-graduação lato sensu em Gestão da Comunicação, na ECA-USP, sobre como implementar a Lei Federal nº 11.645/08 a partir dos referenciais da Educomunicação (Soares, 2002). Essa Lei foi aprovada em janeiro de 2008 e prevê a inclusão de conteúdos sobre a História e a Cultura Afrobrasileira e Indígena nos currículos dos Ensinos Fundamental e Médio de todas as escolas brasileiras.

    Durante a pesquisa buscou-se analisar o impacto gerado nos corpos docente e discente após a realização de um projeto educomunicativo sobre cultura negra em uma escola privada paulistana, nomeada Colégio Passionista São Paulo da Cruz. Nesse sentido, este artigo relata (1) as dificuldades de implementação da referida Lei no universo escolar (tanto privado como público); (2) apresenta como a pesquisa citada foi desenvolvida no colégio em questão; e (3) aponta propostas de intervenção possíveis para a aplicação dos conteúdos condizentes à Lei Federal nº 11.645/08, conforme identificado na pesquisa. O intuito é demonstrar a urgência da capacitação massiva dos educadores para a efetiva aplicação da referida Lei – resultado obtido por meio da pesquisa-participante.

    Salientamos que, a partir da pesquisa, também foi identificada a importância do estudo das linguagens para auxiliar na execução efetiva das prerrogativas legisladas, buscando compreender as noções referentes a preconceitos e estereótipos (Orlandi, 1999). Além disso, se faz necessário relatar que a pesquisa entende a inter-relação entre comunicação e educação a partir da comunicação interpessoal, em grupos, com o objetivo de desenvolver ecossistemas comunicativos (Martin-Barbero, 2001) nos ambientes escolares, a fim de preencher a lacuna existente em relação ao ensino de conteúdos referentes – mais especificamente – à afrodescendência no Brasil.

    3. A construção do conceito de didática da comunicação educativa, no rádio – Edgard Patrício

    Dois âmbitos relacionados à atuação dos meios de comunicação podem dar conta de sua vinculação com processos educativos. No primeiro âmbito, das inovações tecnológicas, estaríamos no ambiente das “possibilidades” educativas; enquanto no outro âmbito, dos conteúdos, levaríamos a crer nas “intencionalidades” educativas. Essas intencionalidades podem se relacionar aos mais diversos campos, incluindo-se aí o campo da moralidade, política, cultura, economia, educativo – formal ou não-formal, e assim por diante. Para que essas intencionalidades seja efetivas é que o rádio lança mão do que poderíamos chamar de “didática da comunicação educativa”. Na mediação entre esses dois pólos, que em algumas ocasiões se entrecruzam, a interferência do Estado.

    Foi assim quando, no âmbito do campo das possibilidades, o governo federal incentivou a instalação de fábricas de aparelhos receptores no Brasil. Foi assim também que, no âmbito do campo das intencionalidades, estruturou-se um aparelho censor de controle da informação e se estabeleceu parâmetros de utilização do rádio para a efetivação de uma política educacional centralizada politicamente e culturalista.

    Partindo-se desses pressupostos, e apoiados em nossa experiência de 20 anos desenvolvendo projetos que tentam articular comunicação e educação, outras inferências podem ser feitas, agora mais próximas da práxis da comunicação educativa. Mais uma vez ressaltamos que essas inferências partem da compreensão sistêmica do ecossistema comunicativo. As considerações isoladas ora à produção, ora à mensagem, ora à recepção, ora ao contexto são parciais, no sentido de uma caracterização mais compreensível desses momentos. Uma tentativa de estabelecimento do conceito de didática da comunicação educativa no rádio.

    4. Do cassete-fórum à Internet: uma proposta educomunicativa para a participação de crianças na mídia – Mayra Fernanda Ferreira

    Refletir sobre a participação de crianças na mídia é o objetivo deste trabalho, uma vez que a nova geração, a infância digital, tem contato com as novas tecnologias da informação e da comunicação e torna-se usuária interativa na Internet, como afirma Tapscott (1999). A partir do método cassete-forúm, proposto por Mário Kaplún (1984), no qual se valoriza a autoexpressão dos indivíduos, é possível readaptar esse modelo ao novo cenário tecnológico, no qual as ferramentas de interação podem funcionar como os cassetes e promover a comunicação participativa entre grupos. Com base na experiência bem-sucedida de Kaplún com grupos populares, pretende-se mostrar a potencialidade dessas ferramentas, muitas vezes já pertencentes ao universo infantil, para favorecer a participação das crianças na mídia.

    Considerando o potencial participativo da infância digital, é importante que se discuta a promoção dessa comunicação entre as crianças, de modo que elas exerçam sua expressividade no meio digital e possam construir coletivamente um conhecimento a partir do debate de ideias e experiências. Para que haja um incentivo a essa prática educomunicativa de participação infantil, ao mesmo tempo em que se reconhece o papel social da infância, torna-se necessário discutir a educação para as mídias. Ao compreenderem o processo comunicativo das redes sociais, comunidades virtuais, blogs e programas de mensagens instantâneas, as crianças serão capacitadas a realizar uma ação-reflexão-ação, nas palavras de Paulo Freire (2001), sobre os temas que lhes interessam, emitindo suas opiniões e fomentando o debate com seus companheiros de idade. No exercício de uma comunicação participativa, na qual o direito das crianças à livre-expressão em qualquer meio (ONU, 1989) seja respeitado, contribui-se para a formação de uma geração mais crítica e cidadã.

    Como complemento, informo que Edgard Patrício é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e um dos coordenadores da Ong Catavento, que realiza trabalhos em todo o estado do Ceará.

  • jornal escolar e comunitário em Juiz de Fora

    Notícia publicada por Rodrigo Galdino no portal Viva Favela aborda a realização do Projeto Nossa Mídia na cidade de Juiz de Fora (MG) com alunos e alunas do EJA. Além do mérito da proposta, que considero muito interessante pelo caráter de envolver a perspectiva da comunidade, queria ressaltar o financiamento através de Lei Municipal. Coloco esta matéria aqui com o profundo desejo de que não só tenha continuidade este trabalho por lá como também que outras prefeituras vejam a importância de olhar para a educomunicação com um cuidado maior.

    Confira a íntegra da notícia .:

    Os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Belmira Duarte Dias, em Juiz de Fora/MG, lançaram na semana passada a primeira edição impressa do jornal “Fala Belmira!”. O periódico é resultado do projeto Nossa Mídia: Jornalismo Comunitário no Parque Burnier, financiado pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura (Funalfa/Prefeitura de Juiz de Fora). O projeto tem o objetivo de aliar o ensino das técnicas jornalísticas à reflexão sobre a atual situação dos meios de comunicação de massa no país, e pretende formar repórteres comunitários.

    De março a junho, os alunos participaram das oficinas de redação jornalística e diagramação, ministradas pelos jornalistas Marcello Pereira Machado e Francislene Pereira de Paula, respectivamente. Até dezembro, outras cinco oficinas serão oferecidas pelo projeto. Idealizado em 2010 pelo jornalista Rodrigo Galdino e pela professora Renata Morais Lima (Filosofia), o Nossa Mídia atende cerca de 10 alunos da Escola Municipal Belmira Duarte Dias, localizada no Bairro Parque Burnier, periferia de Juiz de Fora.

    As oficinas são realizadas em parceria com os professores Izabel Teodolina de Jesus (Português) e Ataliba Fernando Domingos da Costa (Geografia), do Projeto Biblioteca, iniciativa que busca diversificar as formas de leitura para que o aluno interaja na biblioteca da escola, desenvolva o prazer de ler e escrever e produza materiais jornalísticos. No primeiro semestre, as atividades aconteceram às terças-feiras, das 17h40 às 18h30, na sala de Informática e na Biblioteca. Além do jornal impresso lançado na semana passada, os alunos produziram três jornais murais.

    Pouco tempo e muita dedicação

    Utilizando conceitos de jornalismo comunitário e educomunicação, as oficinas do Nossa Mídia encontraram na Escola Municipal Belmira Duarte Dias um ambiente acolhedor. Atuando principalmente com alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o projeto tem obtido resultados satisfatórios. Para a professora Izabel, “a chegada do projeto trouxe um novo rumo às propostas de leitura”. Segundo ela, “foi muito importante a participação espontânea dos alunos, após verem a movimentação nas terças-feiras”.

    As atividades acontecem antes das aulas curriculares da EJA, ou seja, para cursar as oficinas, os alunos precisam chegar à escola 50 minutos antes do horário previsto para as aulas, para discutir pautas, debater temas de interesse local e planejar os jornais, além de aprender técnicas jornalísticas.

    Apesar do curto período de tempo, a elevação da auto-estima dos alunos é um dos frutos colhidos pelo projeto. Após conferir a primeira edição impressa do jornal “Fala Belmira!”, a estudante Rosinei Maria da Silva disse que não esperava participar de um projeto como este. “Na verdade, eu nem esperava voltar a estudar”, disse, contente. Rose, como é mais conhecida, é aluna da EJA no período da noite e durante o dia trabalha em dois empregos. Para a edição do jornal impresso, ela produziu duas reportagens – uma sobre a história da escola e outra sobre a viagem que os alunos fizeram à Petrópolis, no início de maio. A viagem à cidade histórica rendeu, além da reportagem de Rose, uma edição especial do jornal mural, com fotos e depoimentos dos alunos. Esse jornal permanece afixado no colégio.

    Próximas atividades

    Com o retorno das aulas, o projeto Nossa Mídia voltará a ministrar as oficinas de jornalismo comunitário na Escola Belmira Duarte Dias, em agosto. Para o segundo semestre, estão previstas oficinas de fotografia, rádiojornalismo, TV, webjornalismo e ética e cidadania. Além disso, serão realizadas visitas a veículos de comunicação da cidade, para que os alunos possam ter contato com os profissionais da área.

    O projeto será concluído em dezembro, quando os alunos receberão um certificado de repórter comunitário. Após a finalização das oficinas, esses alunos estarão aptos a atuar como multiplicadores dos conceitos de jornalismo comunitário nos seus bairros, o que poderá viabilizar o surgimento de veículos de comunicação criados pelos próprios moradores. Todos os oficineiros do projeto são voluntários.

    [+] link para a matéria no site do Viva Favela.